Fascismo e Nazismo — Definições, Características e Contextos Históricos

1. Conceitos Fundamentais

1.1. O que é Fascismo

  • Ideologia política autoritária e ultranacionalista.
  • Defende a centralização do poder em um líder forte.
  • Rejeita a democracia liberal, o pluralismo político e o marxismo.
  • Valoriza a militarização da sociedade e a disciplina coletiva.
  • Surgiu na Itália após a Primeira Guerra Mundial.

1.2. O que é Nazismo

  • Variante do fascismo, desenvolvida na Alemanha.
  • Acrescenta forte componente racista, antissemita e eugenista.
  • Baseia-se na ideia de “raça ariana” superior.
  • Propõe a expansão territorial (Lebensraum).
  • Liderado por Adolf Hitler e o Partido Nazista.

2. Características Principais

2.1. Elementos Comuns ao Fascismo e ao Nazismo

  • Totalitarismo: controle do Estado sobre todos os aspectos da vida.
  • Culto ao líder: figura do “chefe” como salvador da nação.
  • Nacionalismo extremo.
  • Propaganda massiva e manipulação da informação.
  • Repressão violenta a opositores.
  • Militarismo e exaltação da guerra.
  • Corporativismo: Estado controla sindicatos e relações de trabalho.
  • Anticomunismo e perseguição a movimentos de esquerda.

2.2. Elementos Específicos do Nazismo

  • Racismo biológico como base do Estado.
  • Antissemitismo institucionalizado.
  • Políticas de eugenia e eliminação de “indesejáveis”.
  • Expansão territorial como missão histórica.

3. Períodos de Aplicação

3.1. Fascismo Italiano

  • 1922–1943: Governo de Benito Mussolini.
  • Consolidação do regime totalitário na década de 1930.
  • Colapso durante a Segunda Guerra Mundial.

3.2. Nazismo Alemão

  • 1933–1945: Governo de Adolf Hitler.
  • Implantação do Terceiro Reich.
  • Segunda Guerra Mundial e Holocausto.
  • Fim com a derrota da Alemanha em 1945.

3.3. Outros Regimes Inspirados

  • Regimes autoritários europeus entre guerras (ex.: Portugal e Espanha) adotaram elementos fascistas, mas não foram totalitários como Itália e Alemanha.

4. Países que Aderiram Direta ou Indiretamente aos Ideais

4.1. Aderiram Diretamente (Regimes Fascistas ou Pró-Fascistas)

PaísRegime / LíderCaracterísticas
ItáliaMussoliniFascismo original, totalitário.
AlemanhaHitlerNazismo, racismo biológico, totalitarismo.
EspanhaFrancoAutoritarismo nacionalista; inspiração fascista, mas não totalitário.
PortugalSalazarEstado Novo; corporativista, conservador, anticomunista.
Japão ImperialHirohito / militaresMilitarismo expansionista; não fascista clássico, mas alinhado ao Eixo.

4.2. Aderiram Indiretamente ou Influenciados

  • Hungria (Partido da Cruz Flechada).
  • Romênia (Guarda de Ferro).
  • Croácia (Ustasha).
  • Brasil (Ação Integralista Brasileira — movimento, não regime).
  • Argentina (simpatias em setores militares nos anos 1930–40).
  • Outros países latino-americanos com movimentos nacionalistas autoritários.

A formação do Estado moderno: da crise do feudalismo ao questionamento do liberalismo

A formação do Estado moderno foi um processo longo e profundamente marcado por rupturas estruturais que transformaram a Europa entre os séculos XIV e XIX. Esse percurso começa com a crise do feudalismo, um sistema baseado na fragmentação do poder e na dependência pessoal entre senhores e servos, que entrou em colapso diante de transformações econômicas, sociais e demográficas. A partir do século XIV, a Europa foi abalada pela Peste Negra, que entre 1347 e 1351 dizimou cerca de um terço de sua população. A drástica redução da mão de obra elevou o valor do trabalho camponês e enfraqueceu a autoridade dos senhores feudais, permitindo que muitos servos negociassem melhores condições ou migrassem para as cidades em busca de novas oportunidades.

Paralelamente, o renascimento comercial e urbano, impulsionado desde o século XII, mas intensificado nos séculos XIV e XV, transformou cidades como Veneza, Gênova, Bruges e Florença em centros dinâmicos de comércio. A burguesia mercantil, fortalecida economicamente, passou a demandar estabilidade jurídica, padronização monetária e segurança para suas atividades. As feiras internacionais, como as de Champagne, integraram mercados regionais e ampliaram a circulação de mercadorias. Esse cenário de mudança também provocou tensões sociais expressas em revoltas como a Jacquerie, na França em 1358, a Revolta dos Camponeses na Inglaterra em 1381 e o levante dos Ciompi em Florença em 1378 – 1382, todas evidenciando o desgaste da ordem feudal.


Além disso, conflitos prolongados, como a Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra (1337–1453), exigiram a formação de exércitos permanentes, sistemas fiscais centralizados e maior controle político, contribuindo para o fortalecimento das monarquias nacionais. Assim, a crise do feudalismo abriu espaço para a centralização do poder e para o surgimento do Estado moderno.

Nesse contexto, entre os séculos XVI e XVIII, consolidou-se o Estado absolutista, que representou uma ruptura com a fragmentação feudal e uma etapa decisiva na construção da soberania estatal. O absolutismo encontrou sua expressão mais emblemática no reinado de Luís XIV da França, o “Rei Sol”, cuja corte em Versalhes simbolizava a concentração do poder real e o controle sobre a nobreza. Na Inglaterra, monarcas como Henrique VII fortaleceram a autoridade real após a Guerra das Rosas, enquanto na Espanha os Reis Católicos, Isabel e Fernando, unificaram o território e criaram instituições centrais como a Inquisição e o Conselho Real. Na Rússia, Pedro, o Grande, modernizou o Estado e ampliou o poder autocrático.

Esse modelo político foi sustentado por teóricos como Jean Bodin, que formulou o conceito de soberania indivisível, e Thomas Hobbes, que em Leviatã (1651) justificou o poder absoluto como necessário para evitar o caos do “estado de natureza”. A centralização absolutista se apoiava em exércitos permanentes financiados por impostos nacionais, burocracias profissionais, padronização de leis e moedas e mecanismos de controle social. Importante notar que o absolutismo não atendia apenas aos interesses da monarquia: ele também favorecia a burguesia, que via na centralização estatal uma garantia de estabilidade para o comércio e para a expansão colonial.

Com o tempo, porém, o absolutismo passou a ser contestado por movimentos que defendiam limites ao poder real e maior participação política. A Revolução Inglesa do século XVII, culminando na Bill of Rights de 1689, estabeleceu limites constitucionais ao monarca. A Independência dos Estados Unidos, em 1776, introduziu princípios republicanos e constitucionais que influenciariam o mundo ocidental. A Revolução Francesa de 1789, por sua vez, derrubou o absolutismo e proclamou os direitos do cidadão, consolidando a ascensão do Estado liberal.

O Estado liberal, inspirado pelo Iluminismo, baseou-se na separação de poderes defendida por Montesquieu, nos direitos individuais formulados por Locke e na economia de mercado teorizada por Adam Smith. Contudo, apesar de seu discurso universalista, o liberalismo histórico apresentou contradições profundas. O sufrágio censitário excluía mulheres, trabalhadores pobres e populações colonizadas, revelando que a igualdade proclamada era restrita aos proprietários. A liberdade econômica favoreceu a acumulação de capital nas mãos da burguesia e intensificou a exploração da classe trabalhadora durante a Revolução Industrial, fenômeno criticado por autores como Karl Marx e Friedrich Engels. Mesmo pensadores liberais como John Stuart Mill, em sua fase mais social, reconheceram os limites do laissez-faire.

Além disso, o Estado liberal afirmava-se neutro, mas na prática protegia a propriedade privada acima de outros direitos e reprimia movimentos operários, como demonstrado na violenta repressão à Comuna de Paris em 1871. Também sustentou a expansão colonial europeia na África e na Ásia, justificando-a sob o discurso civilizatório. Assim, o liberalismo consolidou uma nova forma de dominação: menos explícita que o absolutismo, mas igualmente excludente.

A formação do Estado moderno, portanto, é resultado de um processo histórico complexo que envolve o colapso do feudalismo, a centralização absolutista e a ascensão — com seus limites — do liberalismo. Cada etapa respondeu a tensões específicas de seu tempo, mas nenhuma eliminou completamente as desigualdades estruturais. Por isso, a crítica ao liberalismo permanece essencial para pensar o papel do Estado e para buscar modelos políticos capazes de conciliar liberdade, igualdade e justiça social.

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